Morro da Conceição

Imaculado Morro da Conceição

Marco da ocupação original do Rio de Janeiro, esta região formava, com os morros do Castelo, de Santo Antônio e de São Bento, um quadrilátero onde a cidade cresceu por três séculos a partir da sua fundação em 1565. As duas primeiras elevações já não mais existem e, apesar das profundas transformações urbanas, o modo de vida particular dos Morro da Conceição se manteve pacato, rodeado por prédios que o escondem dos transeuntes e do agito diário.

A despeito do nome e dos preconceitos, o Morro da Conceição, originalmente chamado de Morro do Valongo, não é e nunca foi uma favela. Não tem registros de crimes, roubo de carros ou atos de vandalismo. É um beijo no tempo, começando em 1590, com a construção da pequena Igreja de Nossa Senhora da Conceição, ainda existente, embora não mais na mesma edificação. Em 2011, o Imaculada ajudou a financiar a restauração da atual igrejinha, através de um leilão beneficente de obras de arte, doadas por artistas que expuseram suas peças em nossas paredes.

Em seus domínios, encontram-se o Serviço Geográfico do Exército, o Observatório Astronômico do Valongo (UFRJ), a Igreja de São Francisco da Prainha (1696), a Fortaleza Militar da Conceição (1718) e, no seu sopé norte, a Pedra do Sal, rocha onde, até fins do século XIX, batiam as águas da Baía de Guanabara e por onde os navios negreiros desembarcavam escravos trazidos da África.

Em sua encosta oeste, em 1905, foi erguido o Jardim Suspenso do Valongo, um amplo mirante, hoje lindamente restaurado, por conta das obras do Porto Maravilha, que também nos alcançam.

A cada passo nas ladeiras, o visitante encanta-se com o casario, as escadas e ruas estreitas. Impossível não notar a hospitalidade dos moradores, muitos deles morando no mesmo local há várias gerações. Caminhando sem pretensão, pode-se encontrar ateliês e gente de bem. Todo mundo aqui é assim, provocando uma onda de nostalgia imediata, uma verdadeira experiência sensorial.

O nome Imaculada Conceição, da Padroeira de Portugal, revela uma história curiosa: em 1640, no episódio da retomada do Reino Português aos espanhóis, Sua Majestade D. João IV creditou a vitória à intervenção milagrosa de Nossa Senhora da Conceição, terminando por coroar a Santa.

A partir desse episódio, jamais um soberano português colocou a Coroa Real na cabeça. Em todas as imagens retratadas, todos os reis e rainhas posam com a coroa debaixo do braço, em respeito à Imaculada Conceição, exceção cometida apenas pelo nosso D. Pedro I (D. Pedro IV, em Portugal).

Na pequena Vila Viçosa, no Alentejo, quase na fronteira com a Espanha, é possível conferir a estátua da Santa Coroada, semelhante à existente no topo do Morro da Conceição e, também, no interior do bar. Conferir esses sinais, perambular pelas ruelas, visitar o Imaculada, flanar por um destino desconhecido até mesmo por muitos cariocas é sempre um prazer especial. Entre e fique à vontade.

Imaculada Bar e Restaurante